quarta-feira, 10 de junho de 2020

Sinto muito, mas sinto sua falta

Bom dia, dormiu bem? Era assim que começava o dia. Antes de dormir eu sempre recebia o seu “boa noite”. Como não ter um bom dia? Acho que a vida é assim, o dia começa quando você vai dormir. Eram sonhos acordados na cumplicidade do travesseiro esperando o domingo chegar. E, quando chegava, preparava um café que se estendia até a hora do almoço. Café, assim como o amor, tem que ser forte, quente e em grande quantidade. Sem essa de dose única. 

Hoje eu acordo aos domingos e procuro você pela cama, mas só encontro o lençol frio com as partes intocadas durante a noite. Tomo meio café num copo americano e, confesso, sinto falta da caneca cheia. Sinto falta do seu bom dia e da sua teimosia em não deixar o pão dourar. Já te expliquei que esse é o segredo das padocas. Sinto falta dos abraços inesperados durante o filme. Valia a pena cada filme chato que você escolhia. Sinto falta do seu olhar observador a me observar. Você sempre me enrolava e dizia que a letra da música é mesmo daquele jeito e eu fingia que acreditava por gostar de ver seu sorriso vitorioso. Sinto falta até da sua curtida e de um singelo comentário na minha foto do pôr do sol, só para me incentivar. 

Sinto que aos poucos nossas conversas que duravam horas foram criando intervalos entre dias, meses e enfim, fim. Sinto tanto e às vezes queria não sentir. Sua falta ainda é viva. Às vezes acordo assim, com um vulcão dentro de mim. Uma vontade de tomar café transbordando. Te observo e sinto inveja de quem tem sua atenção. De quem recebe seu carinho sem pedir. Só me resta assistir ao seu filme chato e tomar meu café sozinho, até conhecer outro alguém que vai me enviar o primeiro bom dia. E no fim das contas, a gente sempre fica bem. Eu tô. E você, dormiu bem?