terça-feira, 27 de setembro de 2016

Desses amores eternos

Ela mal abriu os olhos e já foi se escondendo entre os braços, só deixando à mostra o incrível par de olhos castanhos. Ela pareceu um pouco envergonhada mas sabia onde estava. Sorri e desejei bom dia - o meu havia começado como o primeiro dia de férias de verão. Os fios de cabelo espalhados pela cama denunciavam a incrível noite que tivemos. Dormiu bem? Prossegui. A conheci na noite passada e a menos que ela esteja de partida para o Japão sinto que é a mulher da minha vida. Só falta lembrar seu nome.

Não foi muito romântico, confesso, até meu amigo estava de olho nela, mas quem não estava? Tentei deixa-la decidir, mas meu coração teimou desde o momento que ela chegou no apartamento do Pedro acompanhada por uma amiga – a  troca de olhares foi inevitável. Não lembro de muita coisa, só que ela usava preto, trazia um chileno El País de Quenehuao, fez cinema e era bailarina, meu Cisne Negro! Também lembro que quando sorria olhava para baixo disfarçando a timidez e em seguida levantava a cabeça com um olhar profundo, daqueles que só as lendas conseguem arrastar homens hipnotizados para o fundo do mar. E o navegante aqui teve fé, pois o beijo é uma reza pra um marujo que se preza. E rezamos juntos a noite toda até adormecer nesse mar de lençóis.            

Espero que ela goste de café e torradas com geleia de myrtille, não quero errar no primeiro café de nossa eternidade. Ela garante que dormiu bem e pergunta dos sapatos. Calma, meu bem, um café primeiro. Fique descalça. Eu estou! Você é tão encantadora quanto a voz da Clare Torry, mais fascinante que os olhos do Chico e mais contagiante que um álbum dos Beatles. Por favor, não vá agora. Ao menos sem me dizer seu nome e endereço. A capitã riu e falou meu nome. Passou minha ficha inteira, incluindo meu time e a cidade dos meus pais. Disse que não ficava para o café, tinha um voo para o Japão. 



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Só prometo um café

E meu coração ficou um caco. Jurei parar de fumar, não mais beber, emagrecer, viajar e correr uma maratona. Também jurei não me apaixonar – parecia a coisa mais sensata depois de acordar com os olhos inchados, corpo pesado e uma dor de cabeça que me acompanhou por todo aquele domingo de ressaca. Os discos eram os mesmos e eu tentei mudar os móveis de lugar. Um sambinha para alegrar, algumas flores para animar e janela aberta para o sol entrar. Nessa rima, pensei, me enganaria bem até você chegar!

E chegou, como vento frio no final da tarde de início de primavera, sem avisar. Pensei que já estava grandinho o bastante para não cair na lábia de um sorriso bonito, de um riso fácil, de um bate papo que faz perder a hora na manhã seguinte – e tanto faz se a conversa era acompanhada de copos americanos com cerveja de litro, cristais recheados de Cabernet Sauvignon ou numa distância encurtada pelo celular. Mero engano... Já dizia Paulinho da Viola "meu coração tem mania de amor" e a essa altura eu já tinha esquecido meus votos e desenvolvido um TOC por você. Vem cá, pode ser todo dia?

E tem sido. Uma adrenalina em meio à calmaria do nosso fim de domingo. Não sou bom em promessas, mas talvez seja essa a maratona que eu buscava, o vício que eu direcionava, a aventura que eu procurava e o corpo que eu almejava – beleza esperta! Enrosca teus pés nos meus e vamos curtir a preguiça. Me faz esquecer o chefe, a semana, a dieta e o passado, que foi muito útil até você chegar. Agora é comida pra dois, cochilo depois e despertador pra segunda – amanhã te prometo um café!


domingo, 11 de setembro de 2016

Amor de cinema inspirado em fatos reais.

Sou a saudade que você vai gostar de lembrar e um riso que nas lembranças vai roubar vários teus. Sou um carinho que você vai se encolher quando recordar e o suor que te deu mais prazer. Sou a confusão que você mais gostou de decifrar e a bagunça que mais gostou de ter. Sou a música que teima em escutar e aquela trilogia que não se cansa de ver.
Sou a insensatez que você precisava ter e a coragem que precisou para saltar. Sou a mão calma que passeia no corpo e que faz levitar. Sou o calor de um apertado abraço e a mordida no lábio no final do beijo.  Sou a calmaria no teu sábado de carnaval e o gênio dos desejos. Sou o teu verão depois de longos dias de inverno e as folhas secas que caem para o que não é eterno. Sou o arrepio do beijo roubado na história de um filme moderno.