terça-feira, 7 de julho de 2015

Estação Chocolate

Não consigo me simpatizar com o inverno. Sou do calor tropical. Paulistana com sotaque baiano. O 'meo' e o 'oxe' vem na mesma proporção. Corro no Ibira, mas aprendi a andar de bicicleta nas estradas de chão da Chapada Diamantina. Nasci em maio, já no outono paulista, mas cresci sabendo que não há melhor lugar para curtir o calor do que numa rede armada na varanda da frente. Eu tomava suco de acerola e tubaína para refrescar. Mas não reclamava, adorava o céu azul e sabia que em meados de junho o verão daria trégua e abriria espaço para uma brisa mais serena.

A vida não me preparou para sensações térmicas de 3Cº! Antes, o banho que era para refrescar, agora é banho para esquentar - Cantareira, não me culpe. No inverno, a rotina é certa: pijama, meia, cobertor, edredom, chá e chocolate. Bendito chocolate. Maldito chocolate. 

Foram 3 barras em uma semana. Fora o chocolate quente e os miudinhos tablets que não entram na lista (a dieta permite). Me disseram que era falta de amor, mas eu insisto que tenho amor de sobra. Talvez seja muito amor contido e cá entre nós, é muito difícil segurar essa barra que é gostar de chocolatiê iê iê. E sobra para o coitado do cacau que, aliás, tenho preferido meio amargo - talvez, menos culpa. 

A verdade é que não sei viver o inverno. Eu reclamo. E reclamo muito. Reclamo a toda hora. Reclamo de tomar banho. De ter que sair do banho. De ir a padaria. De ter que sair da padaria. De ter que sair das cobertas. De não ter saído das cobertas. De não ter a quem dar amor. De ter que doar meu amor ao chocolate. Nada contra a estação mais glamourosa e chique, servida de cachecóis de naftalinas. Mas posso pedir uma coisinha? Não passe rápido, só fique menos intenso. Para meu bem - e a indústria dos chocolates.