quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O dia em que apaguei nossas mensagens

Hoje apaguei nossas mensagens e só então me dei conta de que mais uma vez estou seguindo em frente sozinha. Eu não te escolhi, só permiti. Eu precisava de férias e você apareceu com um sorriso de quem só explica as coisas no caminho. Eu queria uma Paulaner, afinal era a primeira sexta-feira de dezembro e um papo furado não faria mal a ninguém. E assim foi. Só que vieram mais cervejas. Um vinho. Uma viagem. Uma música. Uma seleção delas. E aí já era tarde demais.

Você nunca foi o que planejei. Mas eu só sei gostar e nunca explicar. Eu tenho uma péssima mania: seguir em frente quando tenho vontade. E eu cultivei tudo que era possível. Eu criei expectativas. Eu esperei ansiosa a sua resposta para me acompanhar no Fran’s Café e tive cólicas só de imaginar que talvez você não gostasse de café. Eu criei e esperei tudo - só não esperei isso tudo esfriar.

 A gente sabe como tudo começa mas não exatamente onde ou quando termina. Talvez faltaram palavras, talvez faltou até rotina, talvez faltou coragem para não deixar algo tão bom escapar entre as mãos. Olha, eu tô bem. Só tenho pena de quem vai me conhecer depois de você. Assim, com o coração desconfiado e cansado.

Mas já que você permitiu, vou esperar alguém cuidar de mim e tentar rir sem compromisso. Vai que dessa vez eu acerto. A gente vai cozinhar na sexta-feira a noite, ouvir Billie Holiday, falar do trabalho, da viagem de férias e tomar vinho. No sábado veremos a cidade do alto e encontraremos alguns amigos a noite naquele pub que você gosta. 

Eu não vou lembrar de você enquanto estiver feliz. Só espero não acordar no domingo pela manhã pensando como seria se você não tivesse desistido. 

Mas ó, tô bem. Até apaguei nossas mensagens...