quinta-feira, 28 de julho de 2016

Cores, vontades e sabores‏


E se me perguntam o que sinto por você? Penso que o que eu sinto se chama vontade. É que com frequência sinto vontade de receber seu abraço longo e silencioso, cheio de calma, um convite para adormecer feito criança. Sinto vontade de te falar como foi o meu dia e dizer que lembrei de você na sobremesa – descobri um novo restaurante e lá tem banoffee. Ainda hoje senti vontade de perder a hora e chegar com atraso no trabalho porque ficamos conversando a madrugada inteira. Também são muitas as tardes que sinto vontade de te ter ao meu lado para fazer um cafuné e em repetidas manhãs sinto vontade de confessar que o seu “boa noite” me faz dormir bem. Sim, parece que sinto vontade.

Mas tem dias que me pergunto se o que sinto por você é algum sabor. Chega a ser tão bom quanto um chocolate quente em dias frios ou um milk-shake de morango em tardes de verão. Compete alto com o brigadeiro de panela da minha irmã ou com as panquecas doces que minha mãe fazia aos domingos pela manhã. Fica um pouco a frente das coxinhas do Veloso e do hambúrguer do seu Oswaldo. E lembra muito àquele chiclete de morango com tatuagem de brinde que era meu vício quando criança.

Pode ser uma cor. Sinto todos as nuances de vermelho quando você me beija a nuca. Mas a paleta muda muito: quando é selinho, vai do rosa ao violeta. Também gosto quando aproveitamos o dia cinza e fazemos de conta que ele está amarelo radiante. Ou quando o dia é azul mesmo e você o torna ainda mais intenso com um sorrisão largo. E é nessa profusão de cores, sabores e vontades que me perco. Para falar a verdade, ainda não me decidi. Da próxima vez que me perguntarem o que eu sinto por você, vou falar que o que sinto ainda não tem nome - mas a cor é de encher os olhos.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Quanto tempo!

O relógio tocou e ainda permaneci por 9 minutos enrolada no edredom. 9 minutos. Ele toca assim, pois gosto da numeração ímpar, precisa. O décimo minuto me tirou do modo proteção de tela e me fez voltar ao mundo real. Eu ainda estava explorando algumas partes do cobertor frio com as pontas do pé e em modo automático olhava a parede com alguns riscos feitos durante a mudança de posição da cama. O décimo minuto me fez desligar o relógio e olhar os pequenos raios de sol que entravam pelo quarto. Tá um solzão lá fora. Me espreguicei e passei minha agenda diária mentalmente. Foi engraçado, mas estava em branco. Passei um café enquanto pensava na programação para esse dia de sol. Lembrei de você. 

Esquecer alguém deve ser assim mesmo: depois de um café, olhando para a janela, num dia de sol e sem perceber o pensamento cai em quem não se pensa mais há um bom tempo. Não bateu saudade. Só pensei em como tem levado a vida. Mas foi natural, assim como lembrei esses dias do tio Manoel, que não vejo faz um tempo, pois se mudou de vez para a casa de praia.  Tio Manoel é muito legal, lembra dele? Alegre, sempre fala de músicas, comidas e suas histórias cheias de juventude. Bateu saudade dele.

De você bateu vontade. Vontade de perguntar como você está e falar como ta a vida do lado de cá. Falar que estou bem, obrigada. Falar que você tinha razão, que minha pinta no ombro forma um coração, que um dia ainda iria gostar de academia e que o Novos Baianos voltaria um dia. Falar que até ouvi Construção inteiro, mas Meus Caros Amigos ainda é o melhor álbum do Chico - com vinho, é um perfeito roteiro. Falar que ainda continuo a odiar pimentão e que há um ano as carnes já não são mais tentação. Falar que as metas daquele ano novo não foram alcançadas, confesso que estão bem abandonadas mas que tem muitas novas no caminho. Falar que continuo acordando cedo nas manhãs de sol, que o café continua sendo um vício e que arranjei outro abraço preferido. Acredita que já admito que seu risoto é melhor que o meu? E foi o tio Manoel quem me convenceu.



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Hoje é dia de paixão


Hoje acordei com uma vontade de me apaixonar. Não paixão contida, escondida e disfarçada. Quero andar pela rua com um sorriso estampado e atrair a atenção de quem me acha louca ou feliz – e tem diferença?  Quero responder a todas as correntes que me enviam no grupo do whatsapp e até fazer o Zeca e mandar flores para o delegado. Talvez até faça um novo corte de cabelo e compre mais um vestido. Hoje não quero paixão silenciosa. É dia de trocar o olhar discreto por um espirro em público.
 
Hoje a minha companhia não me basta. Não quero me apaixonar pelo pôr do sol, ou pelo último filme do Almodóvar, nem tampouco ouvir músicas no modo repeat. Hoje preciso de tato e pessoa. Gente que toca e arrepia, que encanta, que ensina, que prende e devora. Que bagunça o sono, o lençol e os cabelos. Hoje quero viver de incerteza e de medo de não viver assim para sempre. Não quero coração fechado. Deixo as portas escancaradas com cheiro de café fresco.

Hoje não quero distância e nem esforço. Quero tudo agora e ao meu lado. Abraçado de preferência. Quero ser euforia e tudo o que for contagioso! Quero uma overdose de beijos na nuca e contagem regressiva para troca de olhares. Quero loucuras, adolescência e reticências... O amor eterno e calmo há de vir, mas não quero hoje. Hoje acordei com uma vontade de me apaixonar!



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sem essa de signos...

Sem essa de culpar Vênus ou Marte, se combina ou não. Não importa se ele é de gêmeos com ascendente em sagitário. Siga em frente. Se apegue aos sonhos e sonhe. Sonhe acordada, no metrô, no chuveiro ou no café. Sonhe com ele e com o jantar que vão preparar na sexta-feira. Sonhe com as férias de verão e na viagem de carnaval enquanto a turma bota o bloco na rua. Sonhe com a timidez dele ao ser apresentado no almoço de domingo ou com a tia contando a ele suas lembranças durante a ceia de Natal. Sonhe e sonhe alto. 

Dedique um bom dia. Dedique um e-mail com aquela charge bem humorada no meio da tarde. Dedique uma ligação no fim do dia. Dedique seu final de semana. Dedique uma receita nova com teu máximo esforço em troca de um agradecimento sincero. Dedique uma leitura no rótulo para o vinho dessa noite. Dedique aquele vestido novo em uma quarta-feira qualquer para um elogio singular. 

Divida seus amigos com ele. Divida seu melhor livro, seu filme e sua banda. Divida a sobremesa que ele nunca pede, mas que o garçom insiste em trazer com um par de talheres. Divida a conta. Divida o travesseiro, o peito e o cobertor. Divida o chuveiro e o último pão de queijo. Sonhe, dedique e divida. E se não der certo, você sabe que foi culpa de Vênus ou de Marte.